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Mostrando postagens com marcador San Francisco River. Mostrar todas as postagens
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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Luiz Sávio de Almeida. Rio São Francisco: as águas e pedaços de mim

 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

  1. São Francisco River: the waters and pieces of me

  2.  Río São Francisco: las aguas y pedazos de mí

  3. Rio São Francisco: as águas e pedaços de mim 

Luiz Sávio de Almeida

texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas.

Fotos, 1  2  3 

 
Nem precisa comentar. A canoa é a mesma do meu tempo de menino. A vela tem o mesmo formato, mas não  é a mesma canoa e nem a mesma  vela. E nem o mesmo vento, no que basta olhar para o motor de rabeta.

Foto 4 

Quem reconhece a força das águas do rio?  A âncora? Ela seguramente segura com segurança. Mas a âncora não decide, ela é mandada e esta é uma âncora quatridente e singelamente repousando.  Parece que entre navegar e ancorar, a diferença é pouca. E se eu jogasse a âncora agora, o que aconteceria? Não sei. Deveria saber?


Foto 5
A escada é diferente da âncora. A escada fica sobre o azul e branco, enquanto a âncora fica sobre o verde. Ninguém facilmente é capaz de subir e descer pela a âncora. Pela escada pode. A escada é um caminho feito por duas ladeiras: uma que é subida e outra que é descida. 
 
Foto 6
 
Já subi e desci o rio nesta barca. É a Zanata. O pessoal é gente fina, mas nunca vi tanta barata dentro de um barco. Saí do salão, pois não aguentava e fui dormir aí em cima, enrolado em um lençol velho ou, melhor dizendo, histórico. O  vento batia mesmo, mas me livrei do que poderia ser um baraticídio.


Fotos 7  8   
 
Já subi

Eis a cara da Penedo, a mui leal e valerosa Vila. Quando eu era menino, cantava-se:
Penedo vai,
Penedo vem.
Penedo é terra
De quem quer bem!

Não esqueço desta música que cantavam lá em casa. Parece que o compositor morava na Rua da Penha, numa casa verde.

Lindo berço dos poetas
E das artes sublime inspiração...
Do São Francisco és a Princesa
Cidade amor Penedo!
Esta, também, é a formosa Rua da Praia, montada com algodão e gado. Lá está o Hotel das vedetes.
 



Fotos 9  10  11

Os povos andam nas águas; todo mundo que mora nas beiras do rio, tem que ser anfíbio. Quem não nada como peixe e jacaré,  anda de alguma forma nas águas. O que pensam estes menino pendurados na janela? O que eles vêm? Sera que adivinham o fato de que não somos daqui? Eles andam na Valéria. Eu penso que Valéria deve ser filha ou esposa do dono da lancha.

 
Fotos  12
 Esta é a minha velha e conhecida Carrapicho. Fica quase em frente a Penedo. Menino, eu brincava com os bois  de barro que faziam no Carrapicho, como as meninas brincavam com as panelas. Depois, fui diversas vezes subir a ladeira, entrar nas casas pobres dos artesãos que moram ali. É interessante o monumental da Igreja, a  casa a fazer uma das  esquinas da rua da ladeira.
 
 
 
 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Luiz Sávio de Almeida. Propriá: sua igreja e chaminés

   Quarta-feira, 24 de julho de 2014  San Francisco River, Propriá City

Propriá:  sua igreja e chaminés
Luiz Sávio de Almeida
 
   As fotos foram tiradas durante a Opara ou Racha II. Propriá sempre me chamou a atenção por alguns fatos simples. O primeiro deles é o lamento absolutamente triste e gemido de Luiz Gonzaga em um baião que fala da Rosinha que ficou em Propriá.  Outro é mais família:  é lá que se encontra enterrada a minha avó Adelaide,  mãe  de meu pai.  É vizinha do Cedro, onde havia uma famosa carne do sol. E finalmente, recordo uma cachaça que tomei em Porto Real do do Colégio.

   Era meninote. Minha mãe foi até Arapiraca, passar o Natal com a vovó Dondon, que morava na casa da Tia Lurdes. O casal aproveita e vai visitar a velha Adelaide.  Pelo que me  recordo, ainda não havia a ponte ligando Alagoas e Sergipe e que seria tão reclamada pelo povo do Penedo. Já estava construído o hotel que  ficava  perto da estação de Colégio.  Tomamos dois quartos. Lembro dos banheiros estarem imprestáveis e o cheio nauseabundo que assumia os ares. 

   Meu pai e minha mãe tomam uma canoa. Preferi ficar. E fiquei e emburaquei na cachaça e o resultado foi quase uma coma alcoólica, e quem sabe não  estive. Lembro de vomitar sem parar com o rosto quase dentro da latrina imunda.  Barbaridade. Propriá me olhava do outro lado, rindo sem parar. Pela segunda vez: barbaridade.

   


Aqui está a famosa ponte numa péssima fotografia. A ponta da canoa se intromete e um pequeno ramalhete de baronesa desce devagar. A baronesa desce. O rio às vezes leva um balsedo para o mar. É um belo espetáculo.





Eis a estranha vista da cidade com as torres sem proporção e sem harmonia.  A sujeira domina a beira desta praia. Um velho ponto comercial em evidência, foi um restaurante. Hoje está completamente abandonado. Já almocei várias vezes aí. Do lado direito, nas noites de sexta a domingo, funciona a vida boêmia da cidade.






Aqui, aparecem os espigões das chaminés, tempo das beneficiadoras de arroz, que foram sumindo com a mudança do arroz de vazante.









Aí está a lateral da igreja. Sou fascinado pelo prédio que se encontra à esquerda. Nada entendo. Apenas acho bonito. Gosto de ver, mas de longe.





domingo, 27 de setembro de 2020

ROMARIZ, Antônio. Scenas Rio de São Francisco

San Francisco River, Cascata Paulo Afonso,  Cascada Paulo Afonso,  Paulo Afonso Waterfall,

sábado, 19 de julho de 2014

Rio São Francisco: um texto de 1879

ROMARIZ, Antônio.  Scenas do  Rio de São Francisco


O velho Rio São Francisco

Luiz Sávio de Almeida

        Não há como negar o fascínio que o Rio São Francisco carrega com suas águas.  e não são poucas as horas, as tintas, os escritos que foram dedicados a ele.  Eu estava  pesquisando um antigo jornal que circulava em Alagoas, século XIX, e me deparei com uma crônica extremamente sensível  e escrita sobre ele. Era de autoria de Antônio Romariz. Achei interessante o modo poético como trazia o rio e seus costumes e então resolvi partilhar. O Orbe foi um jornal que começou a circular em Alagoas, no ano de 1879. Saía segunda, quarta e sexta, sendo propriedade de José  Leocádio Ferreira Soares, tendo sua redação situada na Rua da Boa Vista, 55, sendo impresso na Typographia Mercantil, que deveria sr do mesmo proprietário, pois ela tinha sede no mesmo número da antiga Boa Vista..
      Quem ama o Rio São Francisco, irá sentir-se em casa ao palmilhar o texto.
                                                                              http://www.joaodesousalima.com

Scenas  Rio de São Francisco

Antônio Romariz


 ( Ao Sr. Guido Duarte )
 
O Orbe. Maceió. 23 mar. 1879.
 
Opara— chamavam os aborígenes ao rio Francisco.

É um rio magestoso o meu pátrio rio

Quem nâo o conhece, ao menos, pela voz da fama?

A natureza deu-lhe um lugar distincto entre os systemas hydrographicos do ímperio.

A portentosa cachoeira de Paulo Affonso é o ponto luminoso, para onde convergém as vistas de toda a Europa.
Magestoso rio !

Mollemente  espreguiçado sobre o seu leito de areias, estende os braços o gigante do norte, e num estremoso abraço, a' dormece, soluçando beijos de espumas nos braços das cinco provincias que banha. São as suas bellas amantes. Quando a lua cheia derrama sobre a terra as suas amphoças de luz, o rio adormece, corno o somnambulo pela força de vontade do magnetisador; uma boia de prata fluctua nas águas: é a lua que dorme a estremecer no espelho liquido.


O silencio vagueia nos nos ares, no rio e no lago, no prado e no monte; apenas quebrado pelo chorar da mareia nas ribas, pelo cahir das folhas seccas sobre as pedras dos morros, pelo chiar e rangir da voga ou da zinga da canoa, que sobe a corrente, pela cantiga do sertanejo, repassada de  ternura, ungida de melodia, vaga como o pensamento do cantor, que a concebeu; porque muitas vezes o homem
dos sertoes, o cantor d'essas trovas tão nacionaes é  um poeta, rude, é verdade, mas original. A natureza é a sua amante a naturalidade, a sua arte. E, no meio de tudo isso, o cahir das   folhas e a voz do sertanejo despertam os eccos dormentes das serras, nas quebradas.

          De espaço a espaço, as araras gargalham nos morros sobre os ramos dos angicos ou dos mandacarús; a siriema solla uma escala chromatica, tão afinada, do grave ao agudissimo e viceversa, que dir-se-hia uma clarinella tocada por musico exímio.

         
Aquellas serras sào como que exercitos enfileirados, que lhe fazem continência  e lhe velam o dormir.

          Mais abaixo, sobre um penedo, a rainha daquellas águas mira-se enamorada nos chrystaes do rio. E' a noiva d'aquelle sultão que deita a fronte nas Canastras e lava os pés no mar.

          Corramos agora uma cortina sobre esses brilhos da lua.

É uma noite sem estrelas.

O  mar, do sua trompa oceânica  tira sons roucos, como as tempestades o que veem com os ventos tos das procellas morrer-nos aos ouvidos, sete léguas acima da foz, ou antes, expirar no regaço da  rainha daquellas aguas.

Uma toalha negra cobre a superfície do rio.

Para as bandas do sertão, montanhas de nuvens cobrem os ceos, negras, como os demônios da tradiccão.

De quando em vez, uma estrellinha espia por entre uma fresta de nuvem, e dá um beijo de luz no rio que se agita.
O relâmpago abre-se, o ronquejar do trovão rola e rola e uma lingueta de fogo,  tortuosa lambe as negridões.

É o raio que brinca.

O S. Francisco reflete essas imagens com uma fidelidade artislica.

Imagine o leitor uma immensa chapa de prata polida, no
meio das trevas, e allumiada por um incêndio de pólvora, e terá o relâmpago no S. Francisco.

O vento cresce de forca; o rio cava-se; a chuva cahe a
principio do peneira; engrossa-se, e chia sobre os telhados, as calçadas das ruas e sobre o rio e o trovão ribomba: é a harmonia espantosa da trovoada,

Ao fusilar dos relâmpagos, desenham-se as  formas fantásticas, enormes, negras, como a noite mesma: são os morros o as serras d'alem.

No dia seguinte, as  negruras e aos furores da noite sucedem os brilos de um ceo azul, franjado de brancas nuvens e dourado por um sol mais claro. 

As enxurradas passam descendo  as ruas da cidade heroica de uma extremidade á outra, como cachoeiras taes, que impedem o transito publico. 

As trovoadàS são a origem das enchentes. 

O Pajeú e o Moxotó, dois tributários do S. Francisco, recebendo as copiosas águas dos céus, engrossam-se, e as despejam aos pés .do grande senhor,  que principia a entumecer-se.

Depois: as chuvas sempre  a crescer o rio sempre a engrossar,  arrojam-se às suas águas sobre a grande penedia da cachoeira; esta por sua vez salta como um rebanho de alvíssimos liões sobre o grande abismo do baixo S. Francisco e causando, segundo [...] um estrondo que [...] muitas léguas, faz levantar uma nuvem de vapores, tão espessa, que assemelha-se a rolos de fumaça de um grande incêndio. 


Então, o rio rompe as ribanceiras, pula o álveo, e inunda os campos. 

Então, Penedo está com as ruas baixas todas alagadas.

As canoas servem de gondolas venezianas.

Os terrenos adjacentes são um lago-mar!

Agora o prazer das regatas. 

    Escaleres, canoas, jangadas, com as velas pandas, e ornadas de bandeírolas de diversas cores, levam músicos, homens, mulheres...

E partem. Os vivas, os foguetes, a grita de alegria vêm morrer aos ouvidos dos espectadores das margens.

São ãs regatas.

Mais tarde, o prazer para muítos converte-se em desgostos em molestias.

O rio vasou. As sezões, chamadas, tomam o seu lugar... Homem; palidos, mulheres descoradas; a moléstia não escolhe; faz-lhes pagar os banhos nas ruas em noites de luar. . .

Bello espectaculo na verdade o do S. Francisco transbordado I

     Quando se poderá contar com o auxilio do paiz para o impedimento das águas dentro da cidade?

E' interesse publico; será preciso que amadureçam séculos?

O sol entrou em capricórnio. O céu é de fogo, o ar é de fogo, o rio está como que incendiado. A Tabanga, em frente á vila do Traipu, assemelha-se a uma enorme baleia á flor d'agua e aí o calor é abafador.

O rio tem  faíscas electricas á vista.

O sol reclina-se sobre as ^montanhas da margem direita em frente á cidade  heróica, dizendo o ultimo adeus ás águas, aos montes e a cidade.  O rio tem sobre si uma toalha de pedras. O céu iria-se; as nuvens franjadas d’ouro e escarlate vão passando em  caravanas para  o sertão; bandos de aves selvagens descem o rio e somem-se para o mar.


O sol escondeu-se.  A claridade do sol sucede  a claridade da lua. Os ventos suspiram trazendo das vagas [...]

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