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domingo, 26 de abril de 2020

Memória da Pandemia nas Alagoas (XIII): Marcos Farias. A pandemia, a quarentena e há mares, há lagoa



A pandemia, a quarentena e há mares, há lagoa
Marcos Farias
Natural de Maceió/Alagoas, é cantor e compositor, graduado em História e Gastronomia, servidor do TRT/AL.


enquanto estiver lendo, escute a música de Marcos Farias
é só clicar aqui e aparece o link

Memoria della pandemia:Alagoas Memory of the pandemic: Alagoas 



Esta foto é de autoria de Pablo de Lucas
É Sexta-feira Santa, dia 10 de abril de 2020, o sexto dia da
Semana Santa no cristianismo ocidental, período propício para reflexão sobre o papel do ser humano no cosmos, sobretudo num momento em que a pandemia do coronavírus nos pede respostas. Estou por horas a pensar e escrever. Onde erramos? E quanto a nós, das bandas caetés, o que temos a dizer diante de tudo isso?
Leituras, filmes, reflexão e muita música. Tem sido essa a minha rotina em tempos de quarentena. Preparar as refeições também tem feito parte do dia a dia. Aproveitei o momento de maior disponibilidade para realizar um desejo antigo: compor uma música com temática local. Abordar as raízes e o folclore das Alagoas. Eis um momento mais que oportuno e necessário para elevar a nossa autoestima e a nossa alagoanidade.
      Em meados de fevereiro passado, debrucei-me a escrever um poema sobre um povo esquecido: os moradores ribeirinhos das lagoas das Alagoas. São eles pescadores, marisqueiras e rendeiras. O pescado, o artesanato, o sururu e o marisco são fontes de sobrevivência para esse povo. Mesmo à margem social, não desiste de lutar pela própria dignidade.
    Ao invés do tão usual e hegemônico bordão “Terra dos Marechais”, procurei fazer o resgate dos esquecidos. Assentei um registro aos sofridos filhos da terra, os nativos Xucurus-Kariris. Também trouxe à memória o maior personagem negro da historiografia brasileira, o palmarino Zumbi. Na pauta do poema, dois dos maiores patrimônios históricos das Alagoas.
    Nas emblemáticas Lagoas Mundaú e Manguaba, com suas abundantes riquezas da fauna e da flora, representei o complexo lagunar do estado de Alagoas. O manguezal é vida, a lama é boa e gera sururu, pescado, caranguejo, alimenta e mantém a sobrevivência de ribeirinhos. Das margens das lagoas às feiras, o sustento de alijados sociais.
     
O folclore é representado pelo que há de mais alagoano: o Guerreiro e o Coco de Roda. Mestres e mestras das genuínas expressões folclóricas do estado muito merecem a homenagem. Também são merecedores todos aqueles e aquelas que fizeram de sua vida uma história de defesa, valorização e divulgação das manisfestações populares locais.
Em pleno período de quarentena, fim de março ao início de abril, obedecendo aos critérios amplamente divulgados pelas autoridades de saúde, produzi o single ‘Há mares, há lagoas’. Porém não o fiz sozinho. Com a observância da distância necessária – a maior parte do processo desenvolvido com o auxílio da internet – contei com a participação de excelentes profissionais, pelo que transmito meus sinceros agradecimentos. Van Silva pela produção musical e, também, Jair Donato, Nyron Higor e Pablo De Luca.

Esta série tem por objetivo publicar depoimentos sobre  como se pensa e se lida com o Corona em Alagoas.  Está aberta a toda e qualquer pessoa, de qualquer tendência. É uma documentação organizada, sobretudo, para um futuro estudioso de como a epidemia foi vista e vivida em Alagoas. O material será publicado  paulatinamente no  suplemento Campus do jornal O Dia. Está sendo  organizado por Carlos Lima, Mestre em História pela Universidade Federal de Alagoas e Luiz Sávio de Almeida. O blog pode discordar de parte ou do todo da matéria por ele  publicada.


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